segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Michelle Bolsonaro: entre candidata a presidente e fala submissa

 Michelle Bolsonaro não tem medo do palanque. Há anos, ela vem acumulando popularidade, sobretudo entre as mulheres e os evangélicos. A ex-primeira-dama do governo de Jair Bolsonaro, atualmente é a presidente do PL Mulher e uma poderosa articulista do campo bolsonarista, além de ser um nome forte para a disputa presidencial. Mas sua candidatura ainda é uma incógnita e seu discurso de esposa submissa ao marido parece contradizer o protagonismo político conquistado nos últimos anos.

Logo após a condenação de Bolsonaro, que está inelegível até 2030, a ex-primeira-dama afirmou ao jornal britânico The Telegraph, que estaria pronta para assumir uma candidatura. Ela disse inclusive que se levantaria “como leoa” na defesa dos valores conservadores, porém, mudou de postura logo que Bolsonaro, descartou candidatura da esposa ao Planalto. Assim, voltou atrás, afirmando que não quer ser presidente, mas sim “primeira-dama”.

À Agência Pública, por meio da assessoria de imprensa, Michelle não afirmou nem negou que seja candidata. “No momento, não me declaro candidata a nenhum cargo e não estou dedicando o meu tempo para trabalhar nesse sentido”, disse. Contudo, afirmou mais adiante que sua a decisão depende de um chamado divino: “se no futuro houver outro chamado [para a candidatura presidencial], ele virá de Deus — e, como sempre, obedecerei”, porém, não sem antes debater “com o meu marido, com minhas filhas, com o partido.”

Ela não acha que se diminui ao se colocar apenas como primeira-dama. “Estou reafirmando o meu chamado de servir, independentemente de ter ou não um mandato. Liderar não é apenas ocupar cargos; é influenciar pelo exemplo, pelos valores e pelas atitudes”, respondeu à Pública. “Não vejo o papel de esposa como algo ‘menor’ ou ‘limitado’. Muito pelo contrário. Acredito que a força da mulher está justamente em sua capacidade de equilibrar diferentes papéis, sejam eles quais forem, profissionais ou não, com amor, garra e sabedoria”, acrescentou. Leia a íntegra das respostas.

Não é a primeira vez que Michelle, que é evangélica pentecostal, usa a narrativa da “esposa” obediente como um capital político. Quando assumiu a dianteira da estratégia bolsonarista, na campanha presidencial de 2022, ascendendo como grande trunfo da extrema direita frente à alta rejeição do eleitorado feminino a Bolsonaro, ela fez questão de fortalecer a imagem “ajudadora do esposo”, da mulher que ora pelo marido, e até justifica seus atos – incluindo falas misóginas e machistas, como sua principal plataforma.

Foi com esse discurso que Michelle arrastou multidões em viagens pelo país, pedindo votos para Bolsonaro. Desde as últimas eleições presidenciais, ela só fortaleceu essa capacidade de mobilização, falando diretamente com as mulheres evangélicas, um eleitorado disputado. Agora, ela tem sido uma das principais porta-vozes da narrativa de perseguição política ao marido, nas manifestações por anistia dos acusados da tentativa de golpe de Estado, onde faz orações e falas emocionadas. “Meus amados”, disse em um dos atos, no último 7 de outubro, em Brasília, “não estamos lutando contra homens e mulheres, nós estamos lutando contra principados e potestades”, completou, em referência a um texto da Bíblia.

“Não vejo o papel de esposa como algo ‘menor’ ou ‘limitado’. Muito pelo contrário”, respondeu Michelle Bolsonaro à Pública

Contradição ou estratégia?

Entre a “leoa” intrépida no palanque e a religiosa recatada há menos contradições do que possa parecer, analisa Jacqueline Teixeira, antropóloga e pesquisadora que estuda mulheres pentecostais na política. “É estratégico. Mas não uma estratégia de uma intencionalidade que controla todo o efeito disso”, explica. Segundo Teixeira, o discurso assumido por Michelle é “fundamental para construir a legibilidade desse pensamento político [conservador]”. “Então, se apresentar publicamente como uma mulher capaz de se sacrificar pelo bem da sua família é uma coisa esperada”, explica.

Ao se colocar como uma mulher abnegada, que faz grandes sacrifícios em prol da sua família, a ex-primeira-dama conquista sobretudo um público feminino, que se identifica com essa realidade, diz a pesquisadora. “Essa é uma capacidade que não é vista como uma submissão, que esvazia a potencialidade dessa mulher. É sim um ponto importante para produzir uma imagem política de muita força e uma sensação muito significativa de representatividade”.

Para ela, se trata de uma lógica muito mais profunda, que está na base de um pensamento “que tem relação com a realidade dessas mulheres, mas que não deixa de ser estruturalmente também patriarcal e misógino.”

Ao se apresentar como uma mulher que faz sacrifícios pela família, Michelle Bolsonaro produz imagem política forte e representativa para mulheres

Articuladora política

Forte articuladora política e impulsionadora de campanhas. É assim que Christina Vital, professora que coordena o Laboratório de Estudo Socioantropológicos em Política, Arte e Religião da Universidade Federal Fluminense (UFF), vê Michelle Bolsonaro. “Como presidente nacional do PL Mulher, ela foi responsável por um crescimento de 930% no número de mulheres filiadas ao partido em 2024 e na eleição recorde de 995 mandatárias municipais”, diz a pesquisadora.

Segundo Vital, a ex-primeira-dama descobriu a receita para ampliar sua influência política: “Ela tem crescido na conexão com as bases sociais, através de estratégias que vão desde produção de livros, palestras motivacionais, até a realização de reuniões religiosas com debate político. É um grande trunfo do trabalho dela: falar da política de modo muito pragmático, dizendo da sua importância para a melhoria de vida das mulheres em seu cotidiano.”

Vital e Teixeira acham improvável uma candidatura de Michelle à presidência no próximo ano. Elas apostam que ela disputará uma vaga no Legislativo – ou para o Senado ou como deputada federal. “Não apenas pelas disputas, mas pela dificuldade no contexto das próprias linguagens mais masculinistas da direita política em aceitar e lançar a candidatura de mulheres. A gente viu o quanto foi difícil o lançamento da candidatura de Damares Alves [ex-ministra de Bolsonaro] ao Senado. Ela seria uma aposta muito grande no Legislativo porque tem um colégio eleitoral importante, seja no Sudeste, no contexto do Rio de Janeiro ou São Paulo, ou mesmo no Centro-Oeste, que é o território dela”, analisa Teixeira.

Ao mesmo tempo em que, de forma misógina, os partidos dificultam candidaturas de lideranças femininas como Michelle, eles não podem prescindir delas. Mesmo na extrema direita. “Exatamente porque são candidaturas que conseguem arrebatar muitos votos. O caso da Damares é muito emblemático para pensar isso. A gente está falando de uma candidatura que realmente encontrou muita resistência e se definiu quase no fim do prazo, mas que recebeu 700 mil votos”, lembra Teixeira. Vital acrescenta que o apoio político de Michelle foi fundamental para viabilizar a candidatura de Damares. “Ela [a senadora] foi abandonada pelos líderes de extrema direita em 2022 e a mão que Michelle lhe ofereceu foi fundamental”.

Segundo a própria Michelle, seu foco este ano continua sendo “cuidar da minha família, fortalecer o PL Mulher e expandir as nossas ações em todos os estados, para que mais mulheres de bem possam ocupar mais espaços nas esferas de decisão e de poder, na política, nos negócios e na comunidade.” Mas o momento é de costuras políticas e a ex-primeira-dama deve “avaliar muito bem os seus passos em 2026”, aposta Vital. “[Ela] sabe da grande visibilidade de suas ações frente ao seu capital político acumulado desde 2018 e, acentuadamente, a partir de 2022”, considera. “Michelle tem se tornado um player cada vez mais poderoso, eleição a eleição. De modo que, em um futuro não muito distante, pode ganhar até autonomia em relação às figuras políticas as quais está atrelada hoje”, vaticina.👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀👀

Mistérios da Bíblia que ninguém conseguiu decifrar até hoje

 

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Dona de Mim tem pior sexta no Ibope em cinco meses e acende alerta na Globo

 

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Dona de Mim sofreu com o desinteresse do público na noite de sexta (24). A novela das sete registrou o seu pior desempenho nesse dia da semana em cinco meses na Grande São Paulo. Êta Mundo Melhor! também acendeu um alerta para a Globo, já que alcançou a sua menor audiência na mesma base de comparação.

De acordo com os dados obtidos pelo Notícias da TV com fontes junto ao mercado, o folhetim de Rosane Svartman marcou 20,1 pontos na capital paulista. Essa é a menor média às sextas-feiras desde os 19,7 em 30 de maio.

Êta Mundo Melhor! chegou a 18,5 pontos, o que representou o seu menor público em dias de semana desde os 17,9 em 11 de setembro. A produção está em um período conhecido como “barriga", em que há poucos acontecimentos relevantes.

O forte calor em São Paulo ajuda a explicar a queda nas novelas, que costumam perder alguns pontos na Kantar Ibope durante o verão. Com o tempo mais agradável, muitos telespectadores trocam a televisão pelos programas ao ar livre.

Confira as audiências de Globo, Record, SBT e Band na Grande São Paulo na sexta-feira, 24 de outubro:

 
Audiência da Globo na média 24 horas de 24/10/2025 (6h/5h59): -
Programas da GloboAudiência
Bom Dia São Paulo8,6
Bom Dia Brasil 8,2
Encontro com Patrícia Poeta6,3
Mais Você6,2
SP18,6
Globo Esporte8,6
Jornal Hoje10,3
Terra Nostra11,6
Sessão da Tarde: Jumanji9,8
Boletim SP212,0
A Viagem15,4
Êta Mundo Melhor!18,5
SP219,8
Dona de Mim20,1
Jornal Nacional21,8
Três Graças21,6
Globo Repórter14,1
Sessão Globoplay: The Equalizer - A Protetora6,0
Jornal da Globo6,7
Conversa com Bial5,5
Dona de Mim (reapresentação)4,7
Vai que Cola4,1
Corujão: O Juízo3,5
Corujão 2: De Perto Ela Não É Normal3,0
 
Audiência da Record na média 24 horas de 24/10/2025 (6h/5h59): -
Programas da RecordAudiência
Balanço Geral Manhã1,5
Balanço Geral Manhã 22,5
Balanço Geral Manhã SP3,2
Fala Brasil3,2
Hoje em Dia2,7
Balanço Geral SP4,9
A Escrava Isaura3,7
Cidade Alerta3,7
Cidade Alerta 24,5
Cidade Alerta 35,6
Cidade Alerta SP7,0
Jornal da Record 6,5
O Senhor e a Serva4,9
Reis4,9
A Fazenda6,4
Quilos Mortais4,9
JR 24H3,4
Fala que Eu Te Escuto1,5
Inteligência e Fé0,8
Religioso0,6
 
Audiência do SBT na média 24 horas de 24/10/2025 (6h/5h59): -
Programas do SBTAudiência
SBT Manhã 2,8
SBT Manhã 22,5
Bom Dia & Cia1,6
Primeiro Impacto2,4
Alô, Você3,1
Maria do Bairro3,5
Rubi2,7
Fofocalizando2,8
Casos de Família2,3
Aqui Agora2,9
Coração Indomável3,4
SBT Brasil 3,6
Amar3,0
Programa do Ratinho3,9
Tela de Sucessos: O Caminho da Fé2,7
The Noite1,3
Operação Mesquita0,8
SBT Podnight0,6
SBT Notícias1,2
 
Audiência da Band na média 24 horas de 24/10/2025 (6h/5h59): -
Programas da BandAudiência
Religioso0,0
Jornal BandNews0,0
Valor da Vida0,2
Agro Band0,2
Bora Brasil SP0,2
Bora Brasil0,1
Jogo Aberto1,4
Jogo Aberto SP2,9
Os Donos da Bola2,1
Melhor da Tarde1,0
Brasil Urgente1,8
Brasil Urgente SP2,5
Jornal da Band3,3
Cruel Istambul1,5
Religioso0,2
Perrengue do Dia0,5
Melhor da Noite0,5
Jornal da Noite0,5
Esporte Total0,5
Fórmula Band0,2
+Info0,1
Jornal da Band (reapresentação)0,2
Estação Cinema: Tudo pela Honra0,2
Vida na Água0,1

Fonte: EmissorasCada ponto equivale a 77.488 domicílios na Grande SP

Rachel x Jenny: após distribuição de tarefas, peoas se ofendem e despertam discussões | A Fazenda 15

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