Leandra Leal tem mergulhado com honestidade nas nuances de Zilá, a vilã que interpreta em Coração Acelerado, sem fugir da complexidade de seu comportamento controverso. Para a atriz, embora o carisma da personagem desperte risos no público, a origem de seus conflitos reside em um desvio de caráter alimentado por traumas do passado --sobretudo, pela falta de amor.
Em conversa com a imprensa nos bastidores das gravações da trama sertaneja, a intérprete reconheceu que tanto ela quanto o público conseguem compreender as motivações da personagem, embora isso não apague a gravidade de suas ações.
"Acho que a Zilá tem muitas justificativas; você consegue entender o lado dela de verdade. Mas ela é doida. É engraçada, é carismática, mas é doida. Definir as pessoas é sempre difícil, mas a Zilá é alguém que passa de todos os limites para conseguir o que quer. Ela tem uma moral bem duvidosa", resumiu.
Para a artista, a madame do Centro-Oeste é movida por uma carência afetiva extrema, que a faz confundir amor com posse e aprovação social. "Como atriz, procuro entender os mecanismos de quem interpreto. A Zilá sempre se sentiu preterida e injustiçada; tem uma carência gigante de pai e mãe. E talvez ela tenha sido negligenciada mesmo", analisou.
Apesar da compreensão humanizada sobre a origem da vilã, Leandra é enfática ao dizer que o sofrimento não dá carta branca para a destruição alheia. Ela pontuou que os atos de Zilá contra quem atravessa seu caminho ultrapassam o limite do aceitável.
"Nada justifica você incriminar alguém ou lutar para separar um casal só porque você namorou aquela pessoa no passado. Não justifica querer destruir a vida do outro porque ele terminou com você. São questões básicas", disse.
Mas isso não quer dizer que eu não a defenda. Eu entendo tudo nela. Acredito que ela ame o Alaorzinho [Daniel de Oliveira], mas é muito passional. Ela não premedita as coisas friamente; vai agindo meio atrapalhada, no impulso.
Um dos pontos centrais do conflito de Zilá em Coração Acelerado é seu casamento e a imagem que o vínculo projeta para a sociedade. O envolvimento com Ronei (Thomás Aquino) mexeu com as certezas da personagem, mas a atriz acredita que o medo do julgamento externo ainda é uma amarra poderosa para a dondoca.
"Ela ama o Alaorzinho e, para uma mulher como ela, no meio em que vive, se separar é algo muito difícil. O Ronei a abala de verdade, mas o divórcio, para ela, soa como uma falência, um fracasso pessoal. Existe toda uma questão social e econômica envolvida. Tem muitas mulheres e muitos homens que vivem assim", refletiu a atriz.
O "buraco" emocional apontado por Leandra remete à infância. Segundo a atriz, a falta de afeto que Zilá recebeu dos pais moldou sua incapacidade de se sentir amada na vida adulta, criando um ciclo de frustração que ela tentou compensar na criação da filha, Naiane (Isabelle Drummond), além de alimentar ainda mais a rivalidade com a irmã, Janete (Leticia Spiller).
"A relação com o Ronei a toca num lugar de querer viver algo real, porque a Zilá nunca se sentiu amada, nem pelos pais, nem pelo marido. É um vazio muito grande. Acho que a relação de amor mais sólida que ela possui é com a filha. A Naiane é tudo para ela. A Zilá deu à filha a estrutura emocional e financeira que nunca teve", explicou.
Leandra Leal ressaltou ainda que o contraste entre Zilá e sua irmã, Janete, é a chave para entender por que a personagem se tornou tão rígida e controladora. Ao tentar proteger a filha da vida dura que teve, a vilã acabou caindo no erro da superproteção.
"Ela teve uma infância superdifícil. Quando criança, era ela quem trabalhava, limpava a casa e cuidava do pai e da irmã. Os flashbacks mostram que ela sempre foi a 'formiga' da história, enquanto a Janete era a 'cigarra'. Por isso, ela quis dar para a Naiane uma vida em que ela não precisasse lavar um prato, achando que isso seria a felicidade. No fim, acabou criando uma pessoa bem mimada", concluiu a atriz.
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Coração Acelerado é ambientada na fictícia cidade de Bom Retorno, no Estado de Goiás. O folhetim conta com direção artística de Carlos Araújo. No elenco, estão Isadora Cruz, Filipe Bragança, Leticia Spiller, Leandra Leal, Antonio Calloni, entre outros nomes.
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