A Globo já trabalha a todo vapor na substituta de Três Graças. A novela de Aguinaldo Silva deixará o ar em maio para dar lugar a Quem Ama, Cuida, trama assinada por Walcyr Carrasco. A troca marca uma mudança clara de perfil: sai uma protagonista que comete um crime em nome da justiça social, entra uma heroína movida pela vingança pessoal --um terreno conhecido, testado e historicamente bem-sucedido na dramaturgia da emissora.
A comparação entre as duas novelas revela a estratégia da Globo. Três Graças arriscou ao colocar no centro da história uma heroína que cruza a fronteira da legalidade em nome de uma causa coletiva, mas sua sucessora retorna ao conforto da vingança clássica, com histórico comprovado de audiência.
Menos ousadia, mais segurança: trata-se de um movimento calculado para a faixa que investiu em três remakes nos últimos anos, com Pantanal (2022), Renascer (2024) e Vale Tudo (2025).
Por isso, Três Graças se consolidou como uma das apostas mais ousadas recentes da Globo. Trouxe de volta o veterano Aguinaldo Silva, que havia sido dispensado em 2020 depois de mais de 40 anos na emissora.
A trama acompanha três gerações de mulheres mães solos, além de abordar um esquema de falsificação de remédios, responsável por adoecer e matar pessoas pobres.
A grande virada da novela ocorreu em meados de dezembro, quando Gerluce (Sophie Charlotte) passou a ser uma fora da lei. Para desmascarar Ferette (Murilo Benício) e Arminda (Grazi Massafera), ela liderou o roubo de uma estátua supervaliosa dos vilões, com a intenção de usar o dinheiro para salvar vítimas dos medicamentos ineficazes da Fundação Ferette.
Gerluce não será absolvida do nada na história: está previsto que ela será presa e julgada, tornando-se responsável por denunciar toda a engrenagem de corrupção comandada por Ferette. Uma protagonista que rouba, assume as consequências e vai para a cadeia é algo raro no horário nobre.
Vingança é um prato cheio nas novelas
Já Quem Ama, Cuida aposta em uma estrutura mais tradicional. Adriana (Leticia Colin) é uma fisioterapeuta dedicada, contratada para trabalhar para Rogério Brandão (Antonio Fagundes), um milionário solitário e difícil, rejeitado pela própria família, interessada apenas em seu dinheiro.
leo rosario/tv globo
Leticia Colin vai protagonizar Quem Ama, Cuida
Ao conquistar a confiança do empresário, Adriana se vê surpreendida quando ele decide se casar com ela para deixá-la como herdeira. Na noite do anúncio do noivado, porém, Rogério é assassinado. A mocinha acaba injustamente condenada pelo crime e passa seis anos na prisão.
Ao sair da cadeia, Adriana conta apenas com o apoio de Pedro (Chay Suede), filho do advogado que a condenou, e passa a arquitetar sua vingança contra todos que a destruíram.
A escolha de Walcyr Carrasco não é casual. O autor tem um histórico sólido no horário nobre e costuma entregar novelas de forte apelo popular. A vingança feminina, aliás, é um terreno que ele domina bem, como mostrou em O Outro Lado do Paraíso (2017), com Clara (Bianca Bin).
Esse é um tema, aliás, que conta com sucessos anteriores na Globo, como Nina (Débora Falabella), em Avenida Brasil (2012) --trama, inclusive, que já tem uma continuação em planejamento pela emissora para 2027.
Nos bastidores, Quem Ama, Cuida avança com força. A diretora Amora Mautner está fechando a escalação do elenco e deve iniciar, a partir deste mês, o trabalho de preparação com os atores, incluindo leituras, workshops e construção aprofundada dos personagens.
Amora, que atualmente dirige Êta Mundo Melhor!, no ar até março, seguirá supervisionando os trabalhos finais da novela das seis enquanto, em paralelo, dedica-se à montagem da próxima trama das nove.
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